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bacalhau espiritual

dia desses fomos jantar na casa de amigos. melhor programa do mundo :) chegando lá, descobri que o prato da noite era um bacalhau espiritual. confesso que eu fiquei bem animada, pelo simples motivo de que na minha existência eu só tinha comido um bacalhau espiritual que eu tivesse gostado (até esse momento). o que na verdade me fazia evitar a frustração e escolher outra coisa. esse tal bacalhau espiritual era de um restaurante de comida portuguesa no rio super famoso e tradicional, e o bacalhau deles era tão lisinho e cremoso que comer um prato só se tornava missão impossível. bem, o bacalhau da minha amiga estava tão inesquecível quanto esse. se não estivesse, certamente eu não ia estar aqui contando pra vocês sobre ele. e pronto, lá entrou na minha listinha de receitas a fazer: bacalhau espiritual. que à essa altura eu não fazia a menor ideia de como era feito, até que eu descobri a palavra mágica dentro da receita. molho bechamel ♡. colocar molho bechamel em qualquer receita é covardia que …

anchova recheada

quando eu era pequena, eu e minha família passávamos férias em um lugar chamado rio das ostras, que fica na região dos lagos no rio de janeiro. pelo que eu me lembro, a gente passava semanas lá no verão. uma meia dúzia de primos e os adultos que iam se revezando pra ficar com a gente. era na época que você achava um palito premiado e ganhava outro picolé, e eu lembro que um dia tomei 4 picolés seguidos. todos os picolés eram de fruta, porque minha mãe não deixava eu tomar picolé de chocolate, nem brigadeiro, nem nenhuma tranqueira dessas. quando a gente voltava da praia minha mãe fritava ovas pra tapear a fome, e quando chovia muito a gente fazia barquinhos de papel e deixava eles irem embora no rio que se formava na rua de terra alagada. em certa ocasião meus pais compraram um balde de caranguejo pra fazer no almoço, colocaram os bichos no tanque ainda vivos e na hora de prepará-los os bichos tinham fugido de dentro do tanque e se espalhado pelo …

sardinha assada

apesar de são paulo estar cinza há dias e não parar de chover, continuamos com nossa programação de verão por aqui. porque eu posso estar ouvindo a chuva cair, mas vai que você está de férias na praia olhando a vida passar e louco pra comer uma sardinha? porque afinal, uma das combinações mais legais que eu conheço é verão com praia com cerveja gelada e uma sardinha frita com limão. mas, como eu não tô na praia e fritar sardinha dá muito trabalho, hoje vamos de receita de sardinha assada. inspirada em uma receita do jamie oliver, porque apesar dele ter polemizado aquilo tudo com a parceria com a sadia os livros dele continuam aqui na prateleira de casa. pra adiantar sua vida, vale ressaltar que você pode substituir a sardinha por outro peixe que você goste mais. e que essa receita vale como almoço, mas também vale tacar a sardinha no meio de um pão francês fresquinho pra virar lanche. ou usar o que sobrou pra misturar com tomate pelado e transformar tudo …

sopa de frutos do mar

uma das coisas que eu mais gosto de fazer nessa vida é cozinhar pros outros. e quando a comida fica boa e comem tudo, eu sinto um prazer que eu nem consigo explicar. uma coisa física mesmo. tenho um prazer secreto em ver panela vazia e gente de barriga cheia. tem coisa melhor? então a história dessa sopa começou assim: uns amigos viajaram e voltaram relatando todas as delícias degustadas durante a viagem, umas delas uma tal sopa com frutos do mar, molho de tomate e limão siciliano. opa! vamos fazer uma sopa dessa? pronto. junta todo mundo, abre o vinho, liga o som que hoje vai ter sopa! ficou simplesmente sen-sa-cio-nal, todos felizes e eu secretamente sentindo meu prazerzinho físico. se ela é melhor do que a sopa da ideia original eu não sei, mas te garanto que poderia comer um balde dessa sopa toda semana. deu tão certo que na semana seguinte teve mais “sopa marítima” (apelido carinhoso) pra outros amigos. mais uma panela vazia, mais gente se refastelando. muito pão italiano no caldo, muito amor, …

truta poche com molho de iogurte

quando eu me mudei pro meu apartamento novo, eu achei que fosse demorar uma vida pra conseguir deixar ele arrumado. mas aos poucos tudo vai tomando forma, ficando com jeitinho de casa, com a minha cara. a última das tarefas é pendurar quadros, uma tarefa chata demais que demora horas e é praticamente impossível de ser realizada sozinha. mas quem tem amigos tem tudo, certo? então eu troquei um almoço por uma ajuda de uma amiga (que depois viraram duas amigas, e a segunda ainda trouxe torta de limão!) pra fazer uma parede linda de quadrinhos. sim, às vezes trabalhamos com suborno em forma de refeição ;) aqui em são paulo os peixes são diferentes do que eu estava acostumada a comprar no rio. na verdade eu ainda sou descobrindo se são os mesmos peixes mas com nomes diferentes. mas um peixe que eu já vi algumas vezes por aqui é truta, coisa que no rio não é tão comum. e sempre que eu falo de truta lembro daquela truta defumada clássica das viagens à …

salada de salmão curado, lentilha vermelha e agrião

sabe aquelas receitas super fáceis que são simplesmente sensacionais? essa é uma delas. eu aprendi a curar o salmão numa aula de culinária nórdica que eu tive ano passado. esses dias eu comprei uma peça de salmão linda e super fresca, e resolvi fazer esse processo de cura para aproveitar o ingrediente em várias receitas. enquanto eu curava meu salmão, eu fiquei pensando como esses pescadores da idade média eram inventivos. mas não tinha geladeira, nem luz elétrica, nem isoporzinho com gelo, e muito menos comida congelada. então eles precisavam se virar mesmo pra conservar a comida que conseguiam. esse salmão curado se chama gravlax e é um prato tradicionalmente nórdico. grav vem de cavar, enterrar. lax significa salmão. inicialmente o peixe era coberto em sal e enterrado. essa conserva fazia que o peixe fermentasse um pouco, e toda a camada de sal desidrata a carne e tornar o ambiente pouco propício para o desenvolvimento de bactérias e fungos. e assim eles podiam consumir o produto por vários meses depois de pescado ou caçado. isso também te lembra …

papillote de peixe com shimeji e nirá

quando eu era pequena, no caminho da escola havia uma lojinha de produtos japoneses chamada casa vitana. ficava bem pertinho de casa. sempre que a gente ia lá a minha mãe me comprava uma mupy, que pra quem não conhece é tipo um ades, um suquinho de soja com vários sabores. eu amava o mupy de maçã, e até hoje eu chamo o treco de mummy. eu não lembro muito bem o que tinha lá dentro, sei que era uma portinha meio quitanda japonesa meio importadora. e eu podia também comprar bala de alga (que eu também amo até hoje). quando eu era pequena minha mãe não me deixava comer chiclete nem doce nem jujuba. eu não sei se foi pelas restrições, mas hoje em dia eu quase não como besteira, nem chocolate, nem chiclete. nunca desenvolvi esse paladar doce, e sempre me inclinei pros azedos e amargos. bem, no final de semana eu resolvi fazer uma visita à casa vitana, não ia lá há anos (que escrevendo esse post eu descobri que tem filial e …

salada de polvo

então eu me mudei. por isso eu dei uma mini sumida aqui. essa foi a última receita que eu fiz na antiga casinha. diferente do que eu costumo fazer por aqui, essa eu fiz só pra mim (mas rende pra 3-4). sentei na varanda e pensei em que lindos 5 anos eu vivi naquele lugar. conheci pessoas incríveis que vou levar comigo pra sempre, fiz muita festa, fui muito na feira, ouvi as maritacas malucas, recebi visitas de bichos estranhos, cresci muito e cozinhei um bocado, em duas casas sempre repletas de bons amigos. vou sentir um monte de saudade e bati a porta aos prantos, mas the best is yet to come. não tinha como eu passar por aqui sem contar isso. e foi essa saladinha de polvo que ocupou o cenário desse dia. a salada perfeita, uma grande combinação que não pode dar errado. porque afinal era só pra mim e eu podia colocar o que eu quisesse lá dentro, e já estava sonhando com essa salada há dias. daqui pra frente o cenário vai mudar …

bandeja de peixe com polvo e camarão

primeira semana do ano. já fez sua listinha de metas pra 2015? já pensou no que tá bom ou no que deve mudar? a hora é agora, hein! a minha listinha de metas é secreta e intransferível, mas eu posso contar pra você que 2015 é um ano cheio de novidades. e que a gente vai aproveitar esse calor do demônio pra fazer umas receitas levinhas e fresquinhas, combinado? aqui no rio de janeiro faz tanto calor que não dá nem vontade de comer. nem de beber. nem de se mexer. um horror mesmo. viva a água gelada e o ar condicionado! no primeiro final de semana do ano eu já estava com uma ideia do que queria fazer. tudo muito simples. percebi que depois do natal me deu uma certa preguicinha de ir pra cozinha. é que o natal teve bastante coisa, muitos pratos e preparações, e muita gente, uma alegria só. e eu tive uma ajudante especial natalina, minha sobrinha que adora cozinhar e passou o dia comigo na cozinha preparando a nossa ceia …

torta de peixe com batata baroa

naquela viagem mágica, que eu já falei aqui algumas vezes, eu comi uma torta de peixe em bergen, na noruega. eu estava a maníaca da comida tradicional, e li em alguns lugares que a torta de peixe estava na lista dos pratos tradicionais. assim como a baleia, a rena, outras carnes de caça e mais toneladas de peixe e frutos do mar. pois eu experimentei a torta de peixe e estava simplesmente delicioso. comida simples, tradicional, e eu arriscaria dizer que tinha sabor de receita de família. mais uma lembrança gastronômica feliz pra minha vida. <3 um dia eu vou pesquisar e testar uma receita dessa. o que eu comi parecia um super recheio empanado, que você pode ver na foto aqui debaixo. olha, essas comidas que marcam eu levo pra vida. e de vez em quando viram outra receita, ou uma refeição especial, ou uma interpretação do que dá pra gente fazer com os ingredientes que temos por aqui. o propósito desse blog e de todas as receitas é isso: comida conforto, pra compartilhar, pra levar …